A minha unha mudou de cor, e agora?

Na sequência deste Post recebi vários pedidos de leitoras para escrever sobre as infecções das unhas, depois de uma discussão sobre o assunto partilho convosco o texto do João:

Ser profissional de saúde implica muitas vezes dizer às pessoas aquilo que elas não querem ouvir. Isto pode ir desde o simples “tem que fazer mais exercício, e comer melhor e mais variado” que já nos habituámos a ouvir e a ignorar, até aos exemplos mais conflituosos que implicam transmitir que não temos solução para tudo.

Um exemplo bastante marcante deste paradigma são as onicomicoses – as infecções das unhas por fungos. Uma pessoa chega frequentemente à farmácia com uma esperança: que exista um tratamento simples, rápido e eficaz para aquela unha (normalmente no pé) que teima em mudar de cor, deformar e aparentar-se quebradiça e, numa palavra, feia. Isto ocorre principalmente no verão, quando se tiram as sandálias do armário e se descalçam as meias, e se vê o que os pés andaram a “cozinhar” durante o inverno.

A minha unha mudou de cor, e agora?

“O que é que eu faço a isto, então?” Há uma miríade de tratamentos ao dispor. Uns mais eficazes que outros, dependendo do fungo infectante, do tipo de infecção (em cima da unha, debaixo da unha, junto à raiz, ou na franja), da progressão da infecção (se já vai muito adiantada ou não) e também da pessoa em questão. Mas o verdadeiro determinante do sucesso não é o produto, é a forma como o tratamento é feito.

O problema das onicomicoses é que o fungo se instala dentro da unha – e a unha (principalmente a do pé) é um péssimo colaborador com tratamentos: por um lado não cresce rápido o suficiente para expulsar o fungo, por outro não deixa os fármacos penetrar rapidamente para o matarem. A solução? Ter paciência.

Pois aqui têm aquilo que não querem ouvir: infeções das unhas são das coisas mais enfadonhas de se tratar. É um ano de tratamento em que, salvo raras excepções, temos de cumprir o tratamento religiosamente todos os dias (ou semanas, dependendo do produto). E mesmo assim não há garantia de sucesso completo.

Gostava de acabar este post de uma forma bonita, rápida e eficaz na transmissão da informação mas parece que também para mim são válidas as palavras dos Stones, “you can’t always get what you want”…

 

Para quem vem aqui à procura de conselhos, aqui ficam algumas ideias a reter:

  • Começar o tratamento o mais cedo possível é sempre boa ideia.
  •  Se a infecção é debaixo da unha, junto à raiz, é quase certo que precisa de ser abordada com terapêutica oral (comprimidos, cápsulas etc) – isto implica ir ao médico.
  • Alguns cuidados de higiene são por vezes a melhor forma de evitar que o tratamento falhe. Limpar e desinfectar as limas e corta-unhas (com álcool ou lixívia) é uma boa forma de evitar reinfecções.
  • A unha feia pode não ser causada por um fungo. Uma das causas mais comuns é, por exemplo, a idade. A única forma de ter a certeza é fazendo um exame. – isto implica ir ao médico.

 

 

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