Como parar de roer as unhas

Na adolescência pedi aos meus pais uma mota e o assunto ficou arrumado com o argumento:

Compramos-te a mota depois de fazermos uma visita a Alcoitão para veres com os teus próprios olhos o estado em que fica uma pessoa depois de um acidente de mota, blá, blá, blá.

Quem nunca ouviu esta frase feita levante o dedo.

Não havia internet para googlar imagens, por isso a visita acabou mesmo por se realizar, terminando com a frase: “tira as tuas conclusões.” Esqueci a mota.

No início do primeiro ano de escolaridade, o meu filho Quico começou a roer as unhas provavelmente por causa do stress da adaptação à escola.

Falei com a professora e as auxiliares, para perceber se tinha havido algum acontecimento ou episódio que estivesse a deixá-lo mais nervoso e ansioso. Na altura, apesar de tudo o que é terrível passar-me pela cabeça, estava tudo ok na escola. Não havia malandros a roubar-lhe os lanches, nem gabirus a chateá-lo.

Seguindo o exemplo dos meus pais, decidi mostrar-lhe uma fotografia de um par de mãos com unhas roídas, para que isso fosse ponto de partida para uma discussão aberta acerca do assunto.

Após o arrepio do impacto visual:

Que horror mãe!

Conversámos sobre as consequências que isso teria ao nível da sua saúde se continuasse a roê-las. Além de ficar com os dedos e as unhas feias, corria o risco de desenvolver infeções.

Também provoca o desgaste do esmalte dos dentes incisivos, podendo originar cáries nessas zonas.

 Ao longo de algumas semanas mantive-lhe sempre as unhas curtas, com direito a uma vistoria diária para não haver espaço para uma dentadinha.

Ponderei também  em colocar nas unhas um verniz amargo de unhas*.

Mas como ao fim de poucas semanas o hábito parecia abandonado, também eu abandonei essa estratégia.

Acho que a imagem visual de uma fotografia é forte, auxilia e complementa a ideia que estou a transmitir aos miúdos, e muitas vezes serve de ponto de partida para uma boa conversa sobre determinado assunto.

Agora só falta que algum dos meus quatro filhos me peça uma mota, pois já me imagino de novo a caminho de Alcoitão. Afinal de contas, nada convence como ver ao vivo e a cores com os próprios olhos.

*é um verniz transparente, contendo uma substância muito amarga que deixa o seu sabor nas unhas. Não é tóxico e habitualmente aplica-se duas vezes por semana para desencorajar o “mordiscar”.

Para ler mais AQUI sobre os tiques dos mais pequenos.

Em caso de dúvida fale com a sua farmacêutica 🙂

 

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