A minha filha…tem um tique?

O Luís é pai de duas meninas e decidiu partilhar uma situação familiar que lhe tem tirado o sono:

“Desde alguns meses para cá que a minha filha mais velha, que já conta cinco primaveras, anda com a mania de roer as unhas. Quer dizer não é bem isso, o que ela faz é lascar a ponta da unha de um dedo com a ponta da unha de outro dedo.

Em conversa com o pediatra e após algumas leituras percebemos que na realidade o que ela tem é apenas um tique nervoso próprio da idade.

Algumas alterações importantes na vida da nossa filha, como o nascimento da irmã e a mudança de escola, poderão ter desencadeado este tique.

Ficámos então a saber…

A maioria dos tiques são transitórios. Surgem entre os cinco e oito anos e atingem sobretudo os rapazes antes da puberdade.

São exemplos de tiques, actos repetitivos como: franzir o nariz, abanar a cabeça, piscar os olhos, mordiscar o lábio inferior, enrolar madeixas no cabelo, roer as unhas ou mesmo ao falar repetir a cada três palavras expressões como «pois», «portanto», entre outras.

Passa com o tempo?

Na maioria dos casos os tiques, não duram mais do que alguns meses, mas tudo depende da causa que os motivou e da forma, positiva ou negativa, como os adultos e outras crianças lidam com a situação.

O que são tiques?

São reacções cerebrais instintivas e involuntárias, que pretendem dar um sinal ao corpo e à mente de que tudo está bem e ocorrem quando a criança sente insegura, com medo ou receio de alguma coisa ou de alguém, quer tenha fundamento ou não.

São  mais frequentes quando ocorrem mudanças na vida da criança como o nascimento de um irmão, a mudança de escola, a morte de alguém querido, a separação dos pais ou mesmo o bullying.

As suas manifestações agravam-se em ambientes adversos e desaparecem quase sempre no sono ou em ambientes calmos e sossegados em que a criança não se sente exposta.

Os tiques podem também estar associados a outras perturbações como a insónia, gaguez, enurese ( fazer xixi na cama) e outros comportamentos regressivos.

O que pode despoletar um tique?

As causas do aparecimento de tiques podem no entanto ser várias, desde fases em que a necessidade de segurança é maior (e os gestos repetitivos representam a sincronia que contraria a disritmia sentida quando há perigo) a comportamentos obsessivo-compulsivos.

Que atitudes devem ter os pais?

Em primeiro lugar os pais devem mostrar-se compreensivos, não acusar a criança, ridicularizá-la ou humilhá-la.

Poderão, com meiguice, dar um pequeno toque ou fazer um sinal à criança quando ela estiver, por exemplo, a roer as unhas ou a enrolar o cabelo, mas de cumplicidade discreta e não de acusação directa, por forma a que o seu cérebro se lembre que não é preciso estar em stresse.

Os pais devem estar sempre do lado do filho e mostrar-lhe isso, designadamente quando uma outra criança ou algum adulto goza com ela ou está sempre a frisar o facto.

Em público, o melhor mesmo é disfarçar, distraí-la com outras situações e deixar a criança em paz.

Chamar a atenção directamente só piora!

Finalmente, é importante  a criança ter períodos de descanso, respeitar as horas de sono e arranjar factores protectores como o desporto e actividades artísticas de forma a diminuir a ansiedade e assim a ocorrência de tiques.

Se os  tiques persistirem os pais deverão  recorrer a um psicólogo e neurologista. 

Em casos específicos o médico poderá decidir por uma  “terapêutica medicamentosa”.

texto escrito pelo Luís

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