VIVER COM MENO(S)PAUSA(S)

Entra de rompante na farmácia a dona Helena e pousando a receita em cima do balcão  exclama: “Estou farta, desisto.”

E continua.

“Eu já não durmo, já ninguém lá em casa me consegue aturar! Eu chego a tomar três e quatro banhos por dia. Sabe o que é isso? Não sabe… A menina é nova, ninguém nos prepara para isto.”
Ao sentir tamanha revolta do outro lado, tento acalmá-la enquanto vejo que tem receita para um repositor hormonal.
Não sendo uma pessoa que vem à farmácia todos os dias, lembro-me de já lhe ter dispensado um suplemento alimentar para a menopausa à base de isoflavonas de soja que lhe foi prescrito numa primeira consulta de ginecologia aquando da insistência para que o médico não lhe desse “medicamentos”.
A menopausa é um processo natural que acontece com todas as mulheres, geralmente entre os 45 e os 55 anos. É caracterizado pela cessação produção de estrogénio e progesterona, duas hormonas que regulam diversos processos ao nível da reprodução.
O seu diagnóstico é feito 12 meses após a última menstruação.
Contudo a sintomatologia característica pode ter início antes, com a redução gradual de estrogénio. Sendo que algumas mulheres não apresentam queixas e só se apercebem quando deixam de menstruar.
Essas são as chamadas “mulheres de sorte” como refere,  durante a conversa, a dona Helena.
No entanto, grande parte das mulheres nesta fase experiência afrontamentos, suores, mudanças de humor e insónias que afectam o seu dia-a-dia. A secura vaginal e a diminuição da libido são também queixas comuns.
De uma forma geral, são estes sintomas que as levam a pedir ajuda por parte de profissionais de saúde sejam eles farmacêuticos ou médicos.
Apesar de evidências científicas dos benefícios da reposição hormonal na menopausa, existem mulheres que ainda apresentam muitas reservas quando lhes é proposta esta alternativa. É o caso da minha utente que se sente revoltada porque durante a sua vida reprodutiva sempre “fugiu” da pílula e agora “não tem outro remédio”.
Tento explicar-lhe o lado positivo e as melhorias que vai sentir em termos de  qualidade de vida.
Para além de dispensar o medicamento prescrito pelo médico, aproveito ainda para lhe falar de pequenos gestos do dia-a-dia, que não sendo mais “medicamentos”, ajudam a melhorar os sintomas e as consequências da menopausa.
A osteoporose e o ganho de peso também são problemas que podem surgir ou agravar-se nesta fase. Pelo que a alimentação variada e rica em cálcio e vitamina D e as caminhadas são boas práticas deverão ser adquiridas, se não antes, aquando do diagnóstico.
Passado pouco menos de um mês, a dona Helena volta para levantar a segunda caixa, vem com um sorriso e pergunta-me: “- Lembra-se de mim? “
Respondo que sim, e sorrio à medida que me vai contando como a sua vida tem vindo a melhorar desde o início da toma da medicação. No final, agradece-me por a ter ajudado a desmistificar os repositores hormonais e as pequenas dicas que fizeram toda a diferença, principalmente no que diz respeito às caminhadas.
Ser-se mulher é um desafio em qualquer fase da vida. Pessoalmente, sendo mulher e farmacêutica, sinto-me realizada a saber que contribuo diariamente para melhorar a qualidade de vida das mulheres (de todas as idades) com as quais tenho o privilégio de me cruzar na farmácia (ou no blog).
Feliz Internacional da Mulher!
Texto escrito pela Paula.

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