O projeto À Mesa nasceu… à mesa.

Quando desafiei a Isabel para fazer o Kit de uma professora fiquei tão encantada com o seu projecto de educação alimentar na escola, junto de alunos e professores que rumei logo a Setúbal para conhecer o clube. Seria tão bom que boas iniciativas como esta, de educação para a saúde, se replicassem em todas as escolas.Parabéns Isabel !

Aqui fica o Projeto À Mesa:

“Em 2017, num daqueles almoços compridos de encerramento do ano letivo, no refeitório, perguntou a coordenadora de escola se havia alguém com ideias de projetos para o ano seguinte. E eu disse que sim. Não tinha sequer planeado nada, mas foi ali uma espécie de epifania, e um minuto depois declarava “Quero fazer um projeto de educação alimentar”. Três dias depois colocava o esboço da coisa na secretária. Chamei-lhe “Cozinhar é fixe!”… mas logo mudei de ideias… pois se nem íamos cozinhar! “A Mesa” pareceu-me bem mais global – o que pomos na mesa? De onde vem? Como vem? Por que nos devemos sentar à mesa? Com quem no sentamos à mesa?…

Na altura tinha já algumas ideias pré-concebidas sobre o que queria fazer – um projeto que pudesse apoiar colegas no domínio da alimentação (pesquisas, contactos – eu estava na biblioteca ao momento) e um clube com alunos, caso houvesse inscrições. No clube estudaríamos aspetos básicos de uma alimentação saudável e equilibrada, analisaríamos rótulos, faríamos visitas de estudo, convidaríamos pessoas com experiência na área, seja como estudiosos, seja como executores.

E lá meteríamos a mão na massa pontualmente, pois teríamos que fazer da sala de aula um espaço para preparar coisinhas fáceis – saladas, bolinhas energéticas, demolhar morangos em chocolate negro, por exemplo. Tudo ensacado e trazido de casa. Quanto aos conhecimentos, foram-se buscando, que as fontes são muitas, acabando por fazer um curso de alimentação da Universidade de Standford.

 

Vieram os alunos, a página de facebook virada para a comunidade escolar, o instagram vocacionado para os seguidores jovens, a presença em eventos da escola, o alargamento dos princípios do clube à sustentabilidade (lançamos uma bem sucedida campanha a favor das garrafas reutilizáveis) e ao desperdício zero, o convite para representar a escola com o projeto em conferências…e o espaço físico, uma antigo clube de revelação fotográfica.

Durante o verão deixamos lá horas de trabalho para do escuro se fazer luz e andamos pelas lojas comprando mais cor. Chegou setembro e tínhamos agora o mais pequenino ateliê de confeção de alimentos de sempre … mas também o espaço mais bonitinho e aromático da escola.

O clube cresceu, a equipa, os turnos. A dificuldade? Tirar os pequenos do espacinho. Em frente à biblioteca era o local certo para investigar e trabalhar matérias relativas ao ato de nos alimentarmos… mas o que eles gostam de facto é de fazer coisas, olhar o forno com ar enlevado, enfeitar os pratos, compor cenários para as fotos, lavar louça. São os reis (sempre) esfomeados do pedaço. Aprendem menos? Nem por isso.

Que as competências ganhas estão à vista de quem os observa –  a dividir tarefas, pesar, cortar com concentração, questionar sobre alimentos ou procedimentos desconhecidos, enviar fotos do que fazem em casa.

Às vezes estou cansada, que o esforço é grande… Depois basta vê-los… e passa.”

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