O LABORATÓRIO DA ASAE REGRESSA À ESCOLA: PROJECTO MÃOS LIMPAS

Ao contrário do clima de mistério que se tinha instaurado na semana anterior, a chegada das visitantes foi desta vez acompanhada de muita excitação e algum reboliço. Todos (e eu incluído!) querem ver os resultados da experiência da semana anterior, e determinar assim se lavar as mãos é eficaz para eliminar os microorganismos.

Mãos limpas

“Ver para crer”, diz o ditado, e realmente os meus olhos não se queriam descolar das mãos que retiravam as placas seladas das caixas e as colocavam diante de nós. O murmúrio de alguns espalha-se, e rapidamente o burburinho de dezenas de crianças enche a sala. Os resultados são evidentes: as placas do segundo grupo, aquelas tocadas por mãos lavadas, estão praticamente como estavam há uma semana atrás.

Mãos limpas

O mesmo não se pode dizer das outras… Os esgares de choque e desaprovação começam quando surgem as primeiras placas de Petri que, provenientes das mãos não lavadas, apresentam-se repletas de bactérias e bolores, desenvolvendo-se em manchas circulares coloridas que francamente (e peço desculpa a vulgaridade) me enojam.

A reacção intensifica-se quando nos são mostradas as placas resultantes do toque na terra e no corrimão. E culminam com as inúmeras colónias provenientes da sola do sapato! Tento desviar o olhar mas não consigo: o horror, a calamidade!

Os meus colegas estão incrédulos e eu perdi a fala. Nunca pensei que as nossas mãos, aparentemente limpas, fossem habitadas por tantos tipos de microrganismos!

Mãos limpas

Mãos limpas

O meu espírito acalma-se um pouco quando as “doutoras da ASAE” nos avisam que não há motivo para tamanho medo porque grande parte daqueles microrganismos que ali vemos, não nos causam doenças, e na maior parte do tempo, a nossa pele é o suficiente para os manter longe.

Contudo, não é agradável pensar que quando comemos um pão sem lavar as mãos, ou pior, quando esfregamos a cara e os olhos, estamos também a convidar alguns destes “amiguinhos”, a entrar no nosso corpo.

“Posso ficar com a minha placa para mostrar lá em casa?” – Pergunta alguém do fundo da sala.

Mãos limpas

Naturalmente que não. Apesar destes serem microorganismos com os quais contactamos diariamente, é sempre preciso ter cuidado (ainda mais com grandes quantidades!) Por isso as placas mantêm-se seladas e, no laboratório serão submetidas a autoclavagem (segundo percebi, é uma espécie sofisticada de panela de pressão), que as deixa de novo esterilizadas e assim eliminam o risco de contaminação de pessoas ou do meio ambiente.

Mãos limpas

Como em qualquer relatório científico, importa deixar a conclusão bem clara: “Será que lavar as mãos elimina todos (ou a maior parte) dos microorganismos?”

A resposta soou em uníssono, um brado de conquista científica e um primeiro passo na direcção de um futuro mais higiénico: Sim!

No final do dia, saímos desta especial lição com duas conclusões adicionais:

Primeiro, que apesar de todo o medo e terror que a palavra ASAE inspira, essa autoridade consiste na nossa primeira linha de defesa contra uma realidade invisível e ainda mais horrorizante. Por isso mesmo, merecem o nosso respeito (e já agora, além disso, as doutoras Isabel e Rita foram as mais simpáticas representantes que poderíamos esperar).

Segundo, que armados com este conhecimento, temos de fazer nossa missão espalhar esta simples medida de higiene ao maior número de pessoas possível. Em casa, aos irmãos, pais e avós e na escola, aos amigos e aos outros colegas. O importante é sensibilizar o maior número de pessoas para o quão importante é a lavagem das mãos ao longo o dia e, e especial, antes das refeições e depois do uso da casa de banho.

Por isso obrigado por me terem permitido participar neste exercício de curiosidade, pensamento crítico, actividade experimental, e ainda por me terem feito sentir um sortudo por estar numa escola onde fazem este tipo de coisas.

Mãos limpas

Até à próxima!

*O Projecto Mãos Limpas é uma demonstração clara de como, entidades nacionais e laboratórios de qualidade internacional (neste caso, a ASAE e seus laboratórios), podem ser parceiros das escolas, num trabalho conjunto eficaz e motivador de de apoio à promoção e educação para a Saúde.

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