CONVERSAS NA FARMÁCIA #2

Palestra Mitos na alimentação

Na 4ª edição de workshops na farmácia Leal, foi abordado um tema especial e muito importante nos dias que correm: “mitos na alimentação”.
Hoje em dia estamos rodeados de informação, quer seja na televisão, internet, revistas e jornais e nem sempre o que lemos é o o que melhor corresponde à verdade, pelo que é essencial assumir uma posição crítica, principalmente no que toca à alimentação.


Não sou fundamentalista: acredito que a alimentação deve ser equilibrada e sustentada na evidência científica, mas também baseada na dieta mediterrânica que faz parte de quem somos. É importante seguir o que nos diz a evidência, e também personalizar para cada um de nós (como digo sempre, todos nós somos diferentes. O que pode funcionar comigo pode não funcionar com outra pessoa). Tendo isto em conta, assim como as tendências que nos rodeiam por todo o lado, é crucial fazer algumas alterações gerais na maior parte dos casos: aumentar o consumo de frutas e vegetais e a ingestão de água, limitar o consumo de gorduras saturadas e de açúcares de rápida absorção, etc.
Para este workshop o objectivo era abordar alguns temas actuais, tais como as dietas da moda, o leite, o glúten e o óleo de coco:

Dietas detox

Este tipo de dieta geralmente dedica-se quase exclusivamente a líquidos, com muitos sumos de frutas e vegetais.
É importante ter em conta que o processo de desintoxicação do organismo é realizado naturalmente pelo nosso corpo que dissolve as substâncias indesejáveis em água ou na bílis para que possam ser eliminadas na urina ou nas fezes.
Mais importante do que o consumo de sumos para “desintoxicar” o corpo é minimizar o consumo destas substâncias de que o nosso corpo se quer livrar. Além disso, alguns dos nutrientes que o nosso corpo precisa para viver e até para se desintoxicar, encontram-se paradoxalmente diminuído nestas dietas! Isto acontece com vitaminas do complexo B, vitamina E, zinco, selénio e aminoácidos (que normalmente se obtêm na carne, peixe, ovos e frutos oleaginosos).
O mais importante a reter para quem quer de facto fazer um bom processo de desintoxicação é a prática de exercício físico, ingestão de água e ingestão de uma alimentação equilibrada.

Leite vs bebida vegetal

A única bebida vegetal com aporte proteico semelhante ao leite é a bebida soja. As outras opções são normalmente nutricionalmente pobres, e algumas são apenas bebidas diluídas com adição de açúcar. O mais importante na escolha de uma bebida vegetal em alternativa ao leite é sempre a ponderação da lista dos ingredientes, sendo sempre aconselhada a escolha de uma bebida sem adição de açúcares.
Se bebe leite moderadamente e tolera bem, continue! Se não o tolera bem, optar por versões sem lactose ou bebidas vegetais (de qualidade).

Glúten

O glúten é uma proteína insolúvel presente no trigo, centeio, cevada e aveia.
Um doente celíaco apresenta uma resposta exagerada do sistema imunitário à ingestão de glúten. Esta pode ser muito agressiva, podendo causar atrofia das vilosidades intestinais, inibição da absorção de micronutrientes, gases, dor abdominal, diarreia, dor de cabeça, etc. Existem algumas pessoas sem marcador clínico para doença celíaca mas com sintomas semelhantes, que também melhoram quando ocorre uma exclusão do glúten da alimentação. Estas pessoas apresentam sensibilidade ao glúten não celíaca. Sendo uma dieta sem glúten muito restrita, acaba por muitas vezes ser associada erradamente a uma dieta de perda de peso. Porém, existem muitos alimentos identificados como “sem glúten” sem nenhum interesse nutricional. Ou seja, uma dieta sem glúten deverá ser utilizada para melhorar a saúde de alguém que tenha sintomas e não para o controlo do peso!

Azeite vs Óleo de coco

O óleo de coco apresenta 85% de ácidos gordos saturados na sua composição, estando nos dias de hoje cientificamente comprovada a sua associação ao aumento de doenças cardiovasculares. Apesar do óleo de coco apresentar uma elevada quantidade de ácidos gordos de cadeia média, estando em alguns estudos associados a perda de peso e controlo metabólico ainda não existe suficiente evidência científica, que me permita a recomendação da troca do azeite pelo óleo de coco.
Como substituto da manteiga sim, como substituto do azeite não!

 

 

Texto escrito pela Joana.

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