Farmácia em casa

É muito frequente no balcão depararmo-nos com o seguinte diálogo:
“Boa tarde, olhe, eu gostaria de comprar o medicamento X.”
“Com certeza, é para alguma situação em que eu possa ser útil?”*
 *Já agora, um pequeno aparte sobre esta questão: Não, não estou só a ser chato; não, não é que não lhe
queira vender o que me pediu; nem sequer que lhe queira impingir aquilo que me interessa. Sou farmacêutico
primeiro, e o meu dever é zelar pelo bom uso do medicamento. Pessoalmente já despistei umas quantas
situações de maus usos com esta questão, que me permitiram corrigir e ensinar o utente devidamente. Também
o contrário já aconteceu, em que fiquei eu a aprender um novo uso para determinado produto através da
conversa. De qualquer maneira, peço que me aceitem a chatice de ter de repetir esta questão a cada
atendimento, e que tenham alguma paciência para responder.
“Ah, é só p’ra farmácia lá de casa.”
É uma expressão comum com alguma graça, mas pôs-me a pensar também: Qual é a necessidade de uma farmácia
em casa? E o que é que será útil ou imprescindível? Vamos ao trabalho.
 Bom, antes de mais, posso já dizer que a farmácia em casa vai depender de muita coisa, principalmente
de quem vive nessa casa, e do local em que essa casa se situa. Vamos deixar de parte a “função” da casa
porque isso já entra no domínio da legislação do ambiente de trabalho e dos kits de primeiros-socorros.
 Vamos então abrir a nossa caixinha das surpresas e ver o que é que lá está.
Primeiro que tudo, e talvez o mais óbvio, é a medicação que os residentes da casa fazem habitualmente. Vivemos
na era das doenças crónicas, e há muita gente que tem de fazer medicação para a tensão arterial, para a asma etc.
Depois de tirarmos cá para fora essas caixinhas todas, os genéricos e as mães deles, o que nos falta?
Bem, acho que não é má ideia começar com um kit de primeiros-socorros – sim, aqueles que disse que ia deixar de
parte – porque na realidade o primeiro-socorrismo pode ocorrer em qualquer lado. Há muita coisa à disposição,
mas convém ter tesoura, pinças, compressas esterilizadas, ligadura de gaze, adesivo, algo para limpar feridas
(soro fisiologico, desinfetante etc), luvas e algodão. Não vou entrar em pormenores, há muita coisa aqui nesta
caixa à minha frente e praí metade nem saberia como usar. (*nota para mim mesmo: aprender a usar estes instrumentos)
 Que temos nós aqui agora? Ahah! Aqui sim! Aquela parte boa que não se pode deixar ao alcance das crianças
 – não que o resto se devesse deixar, mas estes “rebuçadinhos” coloridos e milagrosos é que são tão bons que há
maior perigo de uma progénie incauta vir a consumir.
Nesta minha caixa tenho aquelas coisinhas que toda a gente usa: antipirético, anti-inflamatório e
analgésico (que muitas vezes é um 3 em 1) e anti-histamínico. Ali escondido está ainda o probiótico. E depois o resto
depende daquilo que a pessoa está mais habituada: descongestionantes, e pastilhas para a garganta, anti-hemorroidarios e
laxantes, antitússicos ou expectorantes, lágrimas artificiais etc etc.
Pode ainda dar jeito alguns artigos como pensos rápidos, alguma coisa que dê para aplicar como gelo, pomadas, geles ou cremes com funções diversas tipo cicatrizantes, sos queimaduras, anti-inflamatórios etc.
Moral da história: a farmácia de casa tem uma grande vantagem relativamente às outras – é personalizável.
Crie a sua própria farmácia de acordo com aquilo que mais usa e precisa. Ah! – E já agora, a casa-de-banho não é um bom sitio para guardara nossa farmácia, porque a humidade e a temperatura costumam não ser boas para a conservação dos medicamentos.

Farmácia em casa

Se não for dessas pessoas e abominar o conceito de farmácia em casa, também está com sorte porque com os novos horários da maioria das farmácias, em qualquer altura que lhe apeteça pode sempre aparecer ao balcão e dar-nos inspiração para um novo post 😉 .

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