O nosso calendário do Advento # Dia 21

Hoje dia 21 de Dezembro
Depois de lançar o desafio em casa, decidimos fazer a contagem decrescente até ao Natal sem chocolates, apenas com pequenos gestos que fazem bem ao nosso coração, aos que estão perto ou mais longe.

Escolher um conto ou história de Natal

Chamei a minha “trupe” à sala. Sentámo-nos emalmofadas e almofadões, espalhei todos os nossos livros natalícios  pelo chão. Qual é o vosso preferido?

Estávamos a folhear as histórias, quando  o Quico gritou com entusiasmo :

-“Li um texto muito engraçado sobre o natal na escola !”

A aventura do Natal

“O Natal em minha casa é sempre uma aventura. Tudo porque os meus pais quando tinham a nossa idade, leram uma história que dizia que Natal é quando um homem quiser e acreditaram. E nunca mais se esqueceram.

Então houve um tempo em que na nossa casa o Natal era em março, outras vezes em agosto, ou seja- como o meu pai dizia: “Quando os meus bolsos estiverem menos vazios.” Ao princípio era uma aventura engraçada e, nos primeiros dias de cada ano, eu e a minha irmã até fazíamos apostas para ver em que data iria calhar o Natal.

Mas, com a escola, a aventura começou a deixar de ter graça.

No fim das férias os colegas perguntavam:

– O que vos deram no Natal?

E eu e minha irmã respondíamos:

– Lá em casa ainda não é Natal…

E eles desatavam a rir e a chamar-nos totós.

Até que um dia a professora chamou a minha mãe e, com um ar sério, perguntou-lhe se andávamos com problemas económicos.

Lembro-me de ela ter entrado em casa furiosa, protestando contra estas pessoas que não têm imaginação! e a partir daí o Natal passou a ser no mesmo dia que em casa dos nossos colegas.

Acabou-se a aventura.

Agora a aventura é, durante todo o mês de dezembro, andarmos a ver se descobrimos onde é que as prendas estão escondidas.

Mas este ano estou preocupado porque só tenho ouvido falar de crise.

Eu nem sei exactamente o que é, mas todos os meus colegas dizem que os pais deles também não falam de outra coisa.

Se calhar desta vez é que dava jeito festejarmos o Natal noutra altura.

Hei de falar disso com o meu pai. De homem para homem.

E explicar-lhe que, com crise ou sem crise, a aventura é sempre aventura.

Ele há de entender”.

Alice Vieira, Texto inédito,2011.

 

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