Aqueles dias do mês

Hoje estou naquela altura do mês em que tenho escrito na testa o seguinte aviso:

“Antes de falar pense bem naquilo que me vai dizer, e, se estiver certo de ter informação relevante a transmitir, assegure-se de que o faz num tom baixinho como se sussurrasse para não acordar o bebé que há em mim. Qualquer palavra dita fora do contexto e/ou à bruta pode despoletar uma crise de choro.”

Confesso que em certos dias até o barulho da respiração do meu interlocutor me causa uma irritação dos diabos.

A acompanhar todo este estado de calamidade interior e de fragilidade psicossomática, o cansaço e as moinhas na parte inferior do abdómen são motivos fortes para desejar recolher à montanha pelo menos durante 5 dias.

Nesta altura já se identificaram (ou talvez não) com o meu desabafo… e também já perceberam que estou a falar da MENSTRUAÇÃO.

Há culpados? Sim, as hormonas.

Já tentei convencer o meu agregado familiar que o melhor para todos seria exilar-me num SPA nesta altura do mês … mas o pedido foi chumbado na hora porque aparentemente preferem aturar-me. (são uns queridos!)

Mas a vida continua e o fluxo menstrual aparece todo o santo mês durante aqueles 2 a 3 dias (sim: eu seu que há pior, e não: isso não minimiza a minha dor mensal), por isso o melhor é mesmo arranjar formas de aliviar os benditos sintomas.

Apesar de um balde de gelado e um bom chocolate servirem de conforto no imediato, sei que a longo prazo as calças vão deixar de servir. E isto degenera sempre num ataque de nervos adicional enquanto nos debatemos em épica luta contra o abotoar.

Mas então como aliviar o desconforto?

Quando a dor é ligeira, um banho de imersão com água morna podia ser uma solução, mas como temos que poupar água, aplico calor na zona pélvica com um saco de água quente ou de sementes aquecido no micro-ondas.

O exercício físico regular é óptimo porque estimula a produção de endorfinas, o “analgésico” natural do organismo. Aprender a relaxar (ioga e meditação) também é importante, pois o corpo repousado é menos vulnerável à dor.

Se a dor for intensa, pode ser necessário tomar um analgésico ou um anti-inflamatório.

Há também reacções diversas de mulheres diferentes a analgésicos diferentes, por isso aconselhe-se na farmácia para informação mais personalizada.

Além da dor, pode haver outros sintomas associados, como as náuseas, vómitos, diarreia e cefaleias. Estes são tratados individualmente conforme a sua presença ou ausência, e a intensidade com que a afectam.

Se a dor se mantiver apesar de todas as medidas, naturalmente que deve consultar o seu médico de família.

ALERTA – quando há mais de uma mulher debaixo do mesmo tecto, os planetas parecem alinhar-se e todas, na mesma altura do mês, apresentam os mesmos sinais e sintomas, aconselhando-se por isso todos os elementos masculinos a terem muita paciência e a serem MUITO carinhosos.

(O estudo que tentou demonstrar este fenómeno foi entretanto bastante criticado e provavelmente o efeito não passa de uma data de vieses, falácias e coincidências mas à laia da cautela, um cuidadinho extra nunca nos cai mal, não é? 😉 )

Em caso de dúvida pergunte à sua farmacêutica.

 

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