Adeus cadelinha de estimação

Passo rapidamente os olhos pelo saco de ração encostado à porta da dispensa e aperto com força a coleira rosa entre os dedos.  Guardo a chapinha com o teu nome gravado mati.

A comida ainda está intacta na tigela.

Trouxe-te para casa embrulhada numa mantinha de flanela há doze anos, foste a surpresa no dia de aniversário do Duarte.

Bolinha de pêlo castanha serena de coração calmo, no meio de uma ninhada irrequieta de labradores amarelos e pretos. Peguei em ti e abracei-te contra o meu peito. A partir daquele momento passaste a ser nossa. Do início ficaram as marcas nos pés dos bancos, um tapete novo para a sala ao fim de dois meses, sapatos e bonecos roídos.

Acompanhaste o crescimento da nossa família, o nascimento dos miúdos. Cheiravas as mãozinhas e de vez em quando uma lambidela no pezinho e na bochecha. “São beijinhos mamã”, dizia a Tete.

A nossa cadelinha

A nossa cadelinhaA nossa cadelinha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando começaram a dar os primeiros passos, sentavas-te atenta e a cada queda corrias como uma mãe para amparar a sua cria. Eras meiga a “roubar” as bolachas das mãos rechonchudas e a dividir o pão com marmelada com a Mada. Foste cavalinho, almofada, companheira de bola, boneca de peluche, um “amparo” fofo e reconfortante para os meus filhos, para nós.

Minha querida companhia nas maratonas de estudo. Deitavas-te aos meus pés enquanto amamentava os meus bebés de madrugada.

Deitei-te no meu colo, abracei-te com força como no primeiro dia, enchi-te de beijinhos, festinhas minha velhota.. e deixei-te partir.

Choro baixinho.

Como vou contar aos miúdos que hoje não estás sentada à porta ?

Obrigada Pau Storch pela edição das fotografias

  1. Lamento. A minha companheira está comigo há quase 10 anos .. passamos tanta coisa juntas. só de imaginar que um dia me deixa fico aflita.

    Beijinhos grandes e força *

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